O ministro das Finanças voltou a acenar esta semana com a intenção de voltar a baixar o IRS e disse que uma descida em 2027 só será decidida depois de olhar para a evolução da economia e das contas públicas. Numa conferência em Lisboa, Joaquim Miranda Sarmento disse que "é importante continuar a reduzir o IRS", vincando que as taxas aplicadas às bandas de rendimentos coletáveis a partir de 40.000 euros anuais continuam a ser elevadas.
Se o leitor é daqueles cidadãos que ainda acredita que os impostos vão descer em Portugal, é melhor estar preparado para não ficar desiludido. A guerra deixa mossa na economia, apesar da inflação beneficiar a arrecadação de impostos. Com evolução lenta do PIB e a despesa pública a crescer de forma automática sem travão que a pare, a sustentabilidade das contas públicas vai ser pressionada nos próximos anos. Num país de PIB anémico, cada vez mais envelhecido, apesar dos imigrantes aumentarem a força de trabalho e disfarçarem alguma saúde nas contas da segurança social, e com grande rigidez na despesa, a promessa de redução real do IRS não passa de um truque ilusório, ou de uma mentira.
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