Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Indigência e lucro

24 de agosto de 2025 às 00:31
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Sobe o número de vítimas mortais dos fogos, um flagelo que todos os verões aflige particularmente as regiões do interior. Está a a ser um ano brutal. A desertificação do interior que nos últimos 60 anos levou a uma redução de mais de 80% da população residente nas aldeias modificou profundamente a paisagem. A agricultura de subsistência transformava terrenos de solos pobres eram autênticos jardins. A pastorícia abundante impedia o crescimento sem regras da vegetação Havia pouco para arder e quando havia fogos,  as descontinuidades impediam a sua propagação. Mas entretanto os pequenos agricultores foram abandonando a atividade, nas serras já quase não há pastores e o mato cresce desordenado, sem retorno económico.

O fogo de Arganil passou o distrito de Coimbra e já devorou parte do que restava da floresta de Seia, da Covilhã, Fundão e  Castelo Branco. A forma como evoluiu revela incompetência no comando. Mas há culpa política nestas tragédias. Desde os desastres de 2017 muito se prometeu e muito pouco se fez. Nem cabras sapadoras, nem nenhum investimento sério para a prevenção. É certo que tem havido reforço no combate e muito mais dinheiro para meios aéreos. Muitos milhões de euros que  tornam lucrativa para alguns,  a indigência com que o País abandona parte importante do seu território. 

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