Quando pensamos que já nada nos surpreende no mundo da lei do mais forte, eis que surge a notícia da morte de uma família que não pode deixar ninguém indiferente. Um casal, ambos de 33 anos, e os quatro filhos pequenos, de cinco, nove, 11 e 12 anos. Um drone entrou-lhes pela casa dentro, na cidade de Gaza, e matou-os a todos. Diga-se o que se disser, isto não é guerra. Não sei quem disparou o drone, não sei quem deu a ordem para disparar, mas isto não é guerra, não tem nada a ver com a necessidade de eliminar a ameaça terrorista. Claro que tem de ser eliminada. Claro que Israel tem direito de se defender. Mas assim?!
Não é acontecimento único, desde 23 de outubro de 2023 que somos confrontados com notícias assim (crianças a morrer de fome, gente abatida a tiro quando esperava por comida). Ali não há futuro, a única esperança é acordar vivo no dia seguinte.
Muitas vezes esquecemos que podíamos ter sido nós a nascer na Faixa de Gaza. Na verdade, nem sequer nos passa pela cabeça. Nem a nós, nem a quem disparou o drone, nem a quem deu ordem para disparar. Mas podíamos ser nós a estar ali, numa casa de escombros, sem água nem luz, a partilhar um bocado de pão com os nossos filhos, e aparecer o diabo vestido de drone e levar-nos a todos. Sem sequer termos tempo de perguntar porquê.
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