Nas tragédias devemos sempre voltar ao básico. A democracia ergue-se com os pilares da justiça e da lei, da responsabilidade civil, penal e política. Ergue-se com os pilares do serviço e do interesse público. Ergue-se com a prestação de contas. Do Governo perante o Parlamento, dos partidos perante os portugueses, do Presidente da República perante todos. Nas tragédias devemos, por isso, voltar ao essencial da política. Ela não é um mero simbolismo. Deve procurar a sua razão de ser e materialidade no serviço às pessoas. E aí, os portugueses continuam a não ter respostas sérias dos sucessivos Governos na preparação contra os perigos previsíveis, venham eles dos incêndios ou de temporais. Os portugueses continuam a não ter respostas para os apagões, para a catástrofe das mortes na estrada, para as mortes por falta de socorro na saúde, para as vítimas de crimes ou das muitas omissões do Estado. Os portugueses não são protegidos com as frequentes mudanças de políticas, com a privatização de recursos naturais, como tem acontecido com a energia. Os portugueses não são protegidos por ministros que fazem da política exercícios de puro narcisismo, construindo vídeos de autopromoção em plena tragédia. Nem pelos que premeiam a incompetência de colegas, premiando-os para a gestão de empresas públicas. Ao não invertermos o rumo, isto vai acabar mal. A responsabilidade política não pode ser apenas uma folha seca ao sabor do vento.
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