Eduardo Dâmaso

Jornalista

Lista da nossa vergonha

21 de agosto de 2026 às 00:31
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A lista do que ainda não sabemos sobre a compra dos 13,7 por cento da REN pelo Governo é, um pouco, a lista de alguma da nossa vergonha coletiva. Deixamos um Governo agir em nosso nome, em matérias da maior importância para o erário e interesse públicos, sem passar cartucho ao Parlamento, montado numa política de opacidade e factos consumados. Como na compra das fragatas. Não sabemos se foi o Governo que abordou a Pontegadea, de Amancio Ortega, ou se foi esta que manifestou vontade de alienar a participação. Essa diferença é importante para perceber o poder negocial de cada parte. A Pontegadea tem uma estratégia de investimento de longo prazo em infraestruturas reguladas. Porque saiu precisamente da REN? Foi apenas uma oportunidade financeira ou existiram outros fatores estratégicos? Houve um processo competitivo ou a negociação foi exclusivamente bilateral entre a Pontegadea e a Parpública? Existiram outros interessados? Isso ajudaria a aferir se o preço foi adequado. Também permanece pouco claro que entidades participaram na operação, quanto receberam de comissões, qual foi o seu papel. As dúvidas são de transparência, racionalidade económica e coerência estratégica. Enquanto estas e muitas outras perguntas não tiverem respostas documentadas, o debate tenderá a deslocar-se da oportunidade política da operação para a qualidade da governação e da prestação de contas. Numa e noutra estamos perto do zero.

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