André Ventura gosta muito de exibir ou invocar a Constituição. Deverá saber, portanto, que questionar a atuação da PSP não resulta de uma tenebrosa conspiração esquerdista ou outra contra a polícia. O propalado amor que nutre pela Constituição obrigam-no a saber que integrar uma força policial implica exercer funções constitucionalmente consagradas e, por isso, limitadas. Saberá que o uso da força e o recurso a arma de fogo apenas podem ter lugar em casos extremos. Saberá que só se pode recorrer à força quando estiverem esgotados outros meios menos graves. Saberá que a subordinação da polícia à Constituição e à lei é total, devendo esta atuar com completa vinculação aos princípios da igualdade, da proporcionalidade, da justiça e da boa-fé. Saberá, portanto, que a polícia não pode bater, deter, matar pelo "historial", pela cara ou cor da pele. Saberá que nenhuma destas restrições legais impede a PSP de prender criminosos ou de assegurar a ordem pública, numa perspetiva democrática. É a mão armada do Estado. Os polícias têm o Estado do seu lado, não precisam da rua do Chega e da sua gritaria, em mero concurso com a da extrema-esquerda. Mas não podem mentir nem matar a bel-prazer. Isso significaria aceitar como legítimo o insuportável patamar dos crimes praticados em nome e com a proteção do Estado, essa antecâmara da morte de qualquer democracia.
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