“Conversações produtivas.” Assim se define a porta entreaberta por Trump quanto a um possível fim da guerra, ao suspender a vontade imperial de bombardear, arrasar, pulverizar, o Irão, com armas convencionais ou mesmo nucleares, como insinua a sua narrativa torpe e alucinada. O problema desta porta entreaberta é que ela vem de uma palavra presidencial que não vale nada. Trump, já sabemos, diz hoje uma coisa e, hoje ainda, o seu contrário. A sua conceção do mundo convocaria, na melhor das hipóteses, Dirty Harry, o justiceiro que celebrizou Clint Eastwood, mas não está sequer próxima do rastejante e traiçoeiro Tuco, protagonizado pelo genial Eli Wallach. Trump é apenas um asqueroso vilão, psicopata narcísico e corrupto. A sua fortuna triplicou num ano, está a rebentar os contrapesos da democracia americana, usa a seu bel-prazer a máquina judicial contra quem o contraria, como está a fazer com Joe Kent.
As “conversações produtivas” com o Irão são um eufemismo, de quem procura uma saída, já muito penosa, para o maior desastre norte-americano a seguir ao Vietname e ao Iraque. A sua própria base de apoio tem vindo a intensificar os sinais de que os EUA têm de sair do Irão depressa e em força. Perderam o controlo da guerra e o próprio aliado, Israel, faz o que quer. Como se Trump fosse uma marioneta nas suas mãos, depois de já se ter percebido que também o é para Putin. É este o Presidente que a América tem e de que será difícil desembaraçar-se.
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