Eduardo Dâmaso

Jornalista

"Não há fome em Gaza"

25 de agosto de 2025 às 00:31
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“Não há fome, nunca houve fome e ninguém morreu de fome em Gaza”. A frase é do embaixador israelita em Lisboa, proferida por estes dias numa entrevista à SIC-Notícias. A ignomínia, a náusea, o nojo, ultrapassam sempre qualquer fasquia no conflito caníbal em que se tornou a guerra em torno da Palestina. Assim aconteceu com o ataque do Hamas a 7 de Outubro, a morte a sair à rua, cega e surda. Com os reféns famintos exibidos ao mundo e com a sua redução a coisa, despidos da sua dimensão humana. Na mesma e avassaladora linha genocida, Israel de Netanyahu replica com a imposição e manipulação da fome, da sede, da vida e da morte, em Gaza. Timothy Snyder, historiador, escreveu um dos melhores livros dos últimos anos para nos ajudar a entender o mundo e o que somos. “Da Liberdade” (Dom Quixote) é um guia luminoso sobre como a história e e política distinguem entre pessoas e corpos, entre a humanidade e a desumanidade mais atroz, entre os que são visíveis e os que escolhemos deliberadamente tornar invisíveis, apagando-os, destituindo-os da condição e da dignidade da pessoa humana. Netanyahu não está a fazer coisa diferente em Gaza e aos palestinianos, seja qual for a dimensão penal que a qualifique. E com afirmações como a do dito megafone propagandístico instalado em Lisboa, Netanyahu  torna-se ainda mais insuperável na consolidação da banalidade do mal como meio de fazer política neste primeiro quarto de miliénio.

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