Eduardo Dâmaso

Jornalista

Negócios da velhice e da morte

24 de setembro de 2016 às 01:48
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Uma das coisas mais execráveis da má aplicação de dinheiros públicos, do desperdício e da corrupção está no peso insuportável que essa fatura comporta de cada vez que envolve idosos, pessoas doentes e crianças.

Esse é o caso que relatamos nestas páginas e que envolve instituições que deveriam ser bem governadas pela Santa Casa da Misericórdia do Porto. Há como que uma dupla penalização que se abate sobre as pessoas. Além da situação vulnerável em que se encontram, são maltratadas por instituições que deveriam ser repositórios da confiança pública.

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Traduz um padrão trágico – não dominante mas um padrão – que a fiscalização da Segurança Social e mesmo instituições judiciais, como o Ministério Público, constatam ciclicamente, desde que a indústria da velhice e da morte vampiriza os lucros fabulosos que estas áreas sociais produzem. As pessoas são tratadas como incómodos objetos em instituições que traem a sua dignidade e a confiança das famílias.

Nestas situações, o Estado não pode lavar as mãos. É o principal responsável, seja qual for o estatuto das instituições. É o dinheiro dos impostos dos portugueses que paga o Estado Social e é este que contratualiza prestações aos privados. O dinheiro é todo o mesmo. Ao menos que sirva para comprar alguma decência e humanidade para os nossos velhos.

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