Como há muito escrevi, o processo judicial dos ajustes diretos de serviços jurídicos na Câmara de Lisboa, envolvendo Duarte Cordeiro, Graça Fonseca, Fernando Medina e Pedro Siza Vieira, naufragou estrondosamente. Não é por ter sido arquivado. A Justiça faz-se acusando e arquivando, condenando e absolvendo. A Justiça não se faz é perdendo o valor da atualidade. Uma investigação parada, sem diligências relevantes, durante três anos, e que demora sete a concluir, não vai a lado nenhum. Não embarco no debate que aí anda sobre o Ministério Público. Trata-se de um debate oportunista, populista, demagógico, que visa acantonar uma magistratura essencial à separação de poderes. Para lá de esbarrar na insuportável lógica do respeitinho. Na ideia de que é uma voz mediática, tribunícia, disfarçada nos seus compromissos espúrios, que decreta quem está acima de qualquer suspeita. Vito Ciancimino, autarca de Palermo que deu 3 mil licenças de construção à máfia numa única noite, foi décadas a fio um cidadão honorável. Não vou por aí. Mas não abdico de dizer o que penso. Estamos perante uma procuradora e uma hierarquia, no DIAP de Lisboa, incapazes de entender que investigar não é exercer um poder absoluto sobre o investigado. Que há contas a prestar e cautelas a ter. Sei que este vírus não contaminou todo o MP. Mas que anda um pouco à solta, lá isso, ninguém me tira da ideia.
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