A escolha de Carlos Cabreiro para diretor nacional da PJ não é surpreendente. A opção por um homem da casa corresponde a um trajeto que vinha sendo feito desde o início da direção de Luís Neves. As hipóteses eram diversas, mas Cabreiro emergiu como o mais consensual. Discreto, moderado, pacificador, Cabreiro é um diretor que trabalha bem com as equipas operacionais. Assim foi na unidade de combate ao cibercrime, em que tinha operacionais com grande experiência, como Rogério Bravo e José Amador, homens que conduziram processos como a detenção de Rui Pinto, a operação internacional da Interpol contra a pedofilia, o desmantelamento do grupo Anonymous. Cabreiro sempre lhes deu segurança institucional e meios. Essa é uma das suas grandes capacidades, a par de outras, como a de articular bem com o Ministério Público, ou enfrentar a exposição mediática para fazer a pedagogia dos riscos da tecnologia para o cidadão comum. Longe vão os tempos, nos idos de 1992, em que os coordenadores do combate ao crime económico, Jaime Fernandes e Teófilo Santiago, juntaram um jovem estagiário à equipa que foi a Atlanta, EUA, buscar o foragido corretor Pedro Caldeira. O estagiário fez-se diretor nacional com todo o mérito.
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