A Procuradoria-Geral da República (PGR) veio dizer que a investigação do processo ‘Influencer’ não esteve parada, mas está condicionada. Neste processo, que fará três anos amanhã, há uma guerra de recursos em torno da prova digital e de outras matérias, que, sendo legítimos, têm o condão de quase paralisar a investigação. Não terá sido esse o caso porque a PGR diz que o processo nunca esteve parado. Todavia, é cada vez mais evidente que este será outro daqueles casos que terão uma acusação muito demorada e um julgamento que, a acontecer, se aproximará, no mínimo, a uma década entre os factos e a audiência. O ‘Influencer’ será um espectro que andará por aí durante muito tempo. E isso levanta os velhos problemas de uma justiça sem atualidade, no crime económico, e que ninguém quer enfrentar. Os problemas de uma justiça globalmente impreparada, não apenas o Ministério Público, também os tribunais de todas as instâncias. O tempo continua a ser o elemento fatal, alimentado pelas liturgias processuais, pelos milhares de páginas que têm de ser escritas para fundamentar uma decisão, das perícias mendigadas, da falta de profissionais, das querelas suscitadas e de uma parte do poder político mascarada de Pôncio Pilatos.
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