Se há uma maioria clara de direita, a direita que se entenda. Devia ser esta a estratégia do PS. Apresentar propostas alternativas, sim, mas não servir de muleta do Governo, como aconteceu no caso da Prestação Social Única (PSU). Na hora de ir às urnas, os méritos ficam sempre para quem governa. Veja-se o que aconteceu com a geringonça. BE e PCP quase desapareceram do Parlamento. De pouco lhes valeu o contributo que deram para as políticas de António Costa.
Mas para o PSD, andar de braço dado com o PS, também não é a melhor estratégia. Um País inclinado à direita não aprecia entendimentos com a esquerda, e mais ainda quando as cedências ultrapassam a essência das propostas, como é o caso da PSU. Do ponto de vista do eleitor, votar PSD ou PS acaba por ser a mesma coisa. O discurso é diferente, mas na prática não se distinguem muito. Daí a dispersão cada vez maior de votos por outros partidos, como a Iniciativa Liberal e o Chega, que, juntos, já ultrapassam amplamente a votação do PSD, de acordo com a sondagem deste mês da Intercampus para o CM. Acabam por ser eles, sobretudo o partido de André Ventura, a beneficiar dos acordos do bloco central. À esquerda, a dispersão é menos acentuada, mas se o PS insistir em aprovar as políticas do PSD, muito provavelmente iremos assistir a um crescimento do Livre, do BE e do PCP. O Orçamento do Estado para o próximo ano é bom teste para perceber melhor até onde vai a ‘coligação’ PSD-PS.
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