Areação da líder do BE à notícia da revista ‘Sábado’ sobre o facto, repito, facto de a sua avó viver numa casa arrendada por 400 euros a uma IPSS, e não ter tido carta de despejo, é reveladora do pensamento que tem sobre o pluralismo e a liberdade de imprensa. Mariana Mortágua considerou a notícia como parte de "uma campanha da extrema-direita" e dedica-se a matar, sibilinamente, o mensageiro. Arvora-se em censora de uma notícia que traz factos novos sobre uma polémica que a própria criou.
A líder do BE usou os mesmos métodos populistas e demagógicos que costuma criticar aos adversários, ao ir buscar a avó como potencial vítima da ‘lei Cristas’, mas não lhe correu bem. Mais valia reconhecer isso, com humildade e espírito democrático, do que enredar-se numa conversa arrogante e de agitação de um papão que, neste caso, não foi quem a atacou. Com este discurso, Mariana Mortágua, cuja inteligência e qualidades são evidentes, mimetiza o discurso de uma esquerda radical, de que o Podemos espanhol, sobretudo com Pablo Iglésias, tem sido um dos mais flagrantes exemplos. Uma esquerda tribal que tem da liberdade de imprensa uma conceção claramente instrumental. Só é boa quando se deita com ela. Fora disso, é tudo gentalha da extrema-direita. Se isto não é fanatismo, digam-me o que é.
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