Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoO legado de Belmiro
30 de novembro de 2017 às 00:31Belmiro de Azevedo é um ‘self made man’ peculiar no tecido económico português. Engenheiro com um interessante percurso académico e pós-graduações nas melhores universidades americanas transformou uma empresa de aglomerados de madeira no maior empregador nacional, um império de milhões em hipermercados e centros comerciais.
Com origens humildes em Marco de Canaveses não foi herdeiro, mas foi um gestor exigente, com visão. Por formação e por gosto era um industrial, mas viu que podia ganhar mais dinheiro no retalho e neste ramo foi o pioneiro da grande distribuição moderna.
Homem independente que nunca se curvou ao poder do Estado. Dos grandes grupos portugueses, a Sonae é dos que menos dependem das benesses públicas.
Por isso foi muitas vezes prejudicado pelos governos, quer na guerra pelo então poderoso Banco Português do Atlântico, no consulado de Cavaco Silva, quer na OPA falhada à PT, no governo de José Sócrates, que agora na investigação da operação Marquês sabemos ser um caso de polícia.
Num país que respeita pouco a liberdade de imprensa importa ainda destacar o investidor do ‘Público’ . Desde 1989, apesar de o diário só ter sido lançado em março de 1990, aplicou muitas dezenas de milhões de euros num jornal que foi sistematicamente deficitário.
Belmiro teve alguns conflitos com a gestão do título, mas de forma exemplar respeitava a independência editorial.
Um empreendedor que marcou uma época. Um homem que deixa um legado superior aos milhões que ganhou e que o tornaram o empresário mais rico deste País.
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