Ventura deu-nos ontem notícias do Presidente da República. Foi um mensageiro de Belém. O Presidente está “incomodado” com o caso Luís Neves, está “vigilante”, mandou os seus próximos falar sobre o tema, terá aconselhado o ministro da República na Madeira a não acompanhar o ministro. Por isso, Ventura dispõe-se a salvar a Pátria com a sua pistola de fulminantes, a sua moção de censura unipessoal. Uma pantomina. Como sempre defendi, Neves não deveria ter ido para o Governo. Não era correto transitar da PJ para os braços de Montenegro, não era bom para ele nem para a polícia. Depois, vimos que também não está preparado para certas curvas do jogo político. Ao fim destes seis meses, Neves deveria sair do Governo e tratar da sua defesa contra quem lhe chama Al Capone, Edgar Hoover, gangster e traficante. Já deveria ter percebido que a sua saída é inevitável, mesmo que Montenegro o defenda e deixe falar, como é óbvio que aconteceu na Madeira. Já deveria ter percebido que Seguro não pediu a sua cabeça, mas que a coabitação entre os dois palácios, nesta fase, é muito mais importante. Mesmo que isso custe a criação de uma espécie de ‘lei Ventura’ em matéria de gestão dos ministros. Quando o Chega grita muito, o ministro cai.
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