Eduardo Dâmaso

Jornalista

O ministro afortunado

29 de julho de 2026 às 00:31
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Ao contrário de Luís Neves, o ministro da Educação é um afortunado. Tem uma vasta legião de amigos e admiradores na bolha mediática. Alguns têm feito o pino para exibir os argumentos com que defendem o ministro. Coitado, está a tentar fazer uma reforma de fundo, está a trabalhar para todos nós, mas nem sempre as coisas correm bem à primeira e, por isso, merece a nossa paciência. Em síntese, é isto o que têm dito. Como se o estrondoso falhanço na correção dos exames fosse um pormenor. Como se a miopia política não existisse, expressa no caricato episódio do relatório que não existiu sobre o projeto-piloto dos exames de Filosofia. Como se rebentar com a segurança, previsibilidade e confiança num passo essencial na vida de alunos e famílias fosse um pequeno nada. Como se dar cabo dos planos imediatos de férias e descanso fosse irrelevante. Como se não existisse uma insustentável opacidade na contratação da empresa responsável pelo que pomposamente chama digitalização, quando se trata de copiar papel para versão digital. Como se não existisse uma propensão do ministro para a arrogância e a desculpa esfarrapada, ou mesmo para o conspiracionismo mais primário, assente na insinuação sobre os professores que metem baixas. Pior pantomima do que esta só mesmo a do ‘assalto’ ao gabinete do Chega, que inaugurou ontem a época tonta com grande esplendor.

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