No dia em que André Ventura acusava Luís Neves de usar uma linguagem pouco apropriada num Estado de Direito, o deputado do Chega Pedro Frazão ameaçava fechar a agência Lusa e chamava “nojentos” aos jornalistas deste órgão de informação. O homem indignou-se por a Lusa não chamar terrorista ao Hamas e qualificá-lo como movimento extremista. Frazão tem direito a indignar-se com o que quiser. A indignação é a sua residência habitual, bem como dos seus comparsas de partido. O que Frazão não pode é ameaçar os jornalistas e uma empresa de comunicação social.
Frazão, essa figura de duas caras que navega no espaço público a tentar tornar-se aceitável no clube restrito da política ao mesmo tempo que desata todo o ódio nas redes sociais, que insulta jornalistas e adversários sempre pela bitola mínima do “nojento” e dos “porcos”, é uma metáfora ambulante da hipocrisia do Chega. Num momento, grávido de sentido de Estado, no minuto seguinte metido dentro desse quadro impiedoso da miséria moral que é o filme Feios, Porcos e Maus. Frazão, o Nojento, assim ficará conhecido no seu bairro pela quantidade de vezes que usa o adjetivo, simboliza o que será o Chega se um dia tiver um pequeno naco de poder. Mesquinho, vingativo, ressentido, sempre na pele do pequeno e ridículo ditadorzeco imortalizado por Chaplin.
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