Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

O pecado das cabras sapadoras

02 de agosto de 2025 às 00:31
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As imagens televisivas do interior do País a arder, particularmente a norte do Tejo, com as populações desses territórios abandonados e ignorados desesperadas com o perigo das chamas, já são uma tradição dos dias estivais.  Em terrenos sem valor económico à medida que os velhos agricultores dos minifúndios se retiram da atividade, o pasto cresce para mais tarde, se não for num ano será noutro, ser queimado por um qualquer incêndio. E porque já não há atividades agrícolas ou outras que criem descontinuidades, os fogos tendem a tornar-se cada vez maiores e mais assustadores para as casas e povoações. Os contribuintes portugueses já pagam muitos milhões para a indústria de combate dos fogos. Desde os contratos milionários para os meios aéreos, aos veículos e equipamento dos bombeiros e em combustível, porque já é comum em qualquer um destes fogos encontrarmos viaturas de corporações a 300 km de distância. Gasta-se muito quando a paisagem arde e pouco se investe na prevenção. Após as tragédias de 2017 lançaram uma ideia simples que era a aposta em cabras sapadoras. Estes animais que antes eram abundantes são dos melhores limpadores do território, evitam que o mato e as ervas atinjam proporções que favoreçam a propagação dos fogos. Era uma boa ideia, relativamente barata e até podia dar algumas centenas de empregos nas regiões agora deprimidas do interior. Houve até alguns projetos piloto, mas a ideia não fez escola. Há uma razão óbvia, é que as cabras sapadoras não dão negócios fabulosos, nem comissões chorudas. São interessantes, úteis, mas demasiado baratas e por isso não alimentam nenhum poderoso grupo de interesses.   

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