A nove dias das ‘midterms’, eleições a meio do mandato presidencial nos EUA, os balanços sobre Trump são inevitáveis. Olhando para o pior, concluímos facilmente que Trump empurrou o mundo para um caos económico, para maior insegurança, para uma polarização sem limites. Concluímos que morre todos os dias muito mais gente pela ação dos EUA nas guerras ou pela omissão na ajuda internacional, com a extinção de organizações como a USAID e a imposição de cortes no orçamento das Nações Unidas. Dir-se-ia também, a este propósito, que António Guterres deveria ser motivo de orgulho nacional pela capacidade que teve de levantar a voz uma monstruosidade sem nome, que é a forma como podemos qualificar, genericamente, tanto a política de Trump em todas as latitudes, como a de Israel em relação aos palestinianos. Trump entrará na história como alguém que levou o narcisismo maníaco a forma de governo e conduziu uma democracia para as páginas mais negras da sua existência, empurrando os EUA para uma verdadeira guerra de trincheiras. Mas passará também à história, para acentuar ainda o que de pior se pode dizer dele, como um verdadeiro ativo, como hoje se diz, de Putin e de Netanyahu, que o usaram a bel-prazer. Pagando, obviamente, o dízimo em dinheiro e negócios a uma fortuna que, só em 2025, faturou 2,2 mil milhões de dólares, segundo o próprio declarou, dando, de viva-voz, expressão pública, verificável e credível à sua própria corrupção.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt