Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

O silêncio de Marcelo

27 de fevereiro de 2026 às 00:31
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Marcelo Rebelo de Sousa parece ter feito um voto de silêncio para as últimas semanas da sua magistratura em Belém.  Ontem,  em visita a uma feira de turismo em Lisboa,  não falou sobre política nacional ou internacional.  Recusou comentar a escolha de Luís Neves e não falou sobre o regresso ruidoso de Pedro Passos Coelho, esse sim, verdadeiro mestre na gestão do silêncio.  Marcelo diz que é tempo de dar o palco ao Presidente da República eleito e tem razão. Mas obviamente ninguém fique à espera de um longo silêncio de um homem que está no palco principal da política portuguesa há 50 anos, em diferentes papéis, mas sempre com destaque,  desde deputado, diretor de jornais, ministro, professor universitário, comentador na imprensa, na rádio e na televisão, intriguista-mor do reino. Mesmo nestes 10 anos em Belém, Marcelo foi o melhor comentador dele próprio.

O problema a partir de 9 de março para Marcelo é descobrir qual o papel que vai desempenhar. Pode até prometer manter votos de silêncio, mas isso contraria a sua natureza. Não é do seu perfil a discreta atuação de Ramalho Eanes nestes 40 anos ou até de Cavaco Silva na última década. Oxalá aprenda com os erros de Mário Soares, um presidente que marcou o País e depois de sair de Belém entrou numa deriva que não acrescentou nada ao seu legado.  

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