Eduardo Dâmaso

Jornalista

O velho pacto de silêncio

18 de outubro de 2024 às 00:31
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A questão é simples nesta acusação à SAD do Benfica. A fraude fiscal é quase incontornável e eleva muito a possibilidade de o Ministério Público (MP) obter uma condenação. Quanto à corrupção, no caso do Vitória de Setúbal, se verá se ela se ilumina ou converte em recebimento indevido. O MP sabe que, mesmo usando técnicas especiais como as escutas ambientais, corriqueiras na investigação do tráfico de droga mas escaldantes para os próprios investigadores no crime económico, dificilmente chegaria a provar a viciação de resultados. O pacto de silêncio que cobre todos os atores que se acertam para um crime destes é um primeiro obstáculo. Depois, também não seria fácil ultrapassar uma discussão sobre penáltis marcados ou por marcar, cartões vermelhos apresentados ou por exibir. Abrir a porta a toda essa subjetividade, levada por ex-árbitros na qualidade de peritos, seria um enorme risco num contexto de processo penal. Para o processo e seus fins, há uma suficiência no que o dinheiro enviado por Vieira para o Vitória garante. Para o resto, opinião pública e publicada, televisões e comentadores, a convicção de cada um, há uma enorme panóplia de factos a construir este apito dourado encarnado, que espreita a cada página do despacho de acusação. E isso é brutal para a imagem do Benfica.

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