A polémica que envolve Luís Neves é de enorme riqueza analítica. Temos os erros evidentes do ministro. Perdurará por muito tempo a memória do tanque que é piscina e agravou, por conta própria, a exigência de esclarecimentos e o volume de críticas. Temos a hipocrisia dos ‘aliados’ de Neves, dentro do Governo e do PSD, que o definem como um presidente de junta de freguesia na liderança da PJ.
Exemplo das pequenas vinganças de oportunidade permitidas pelo seu trânsito direto da polícia para um mundo que não conhecia e onde é visto como um intruso. Temos a indignação seletiva da imensa legião que o vê como o símbolo da “bandalheira da justiça”, como costuma dizer o doutor Rio. Dessa legião, trave-mestra da bolha político-mediática, que ainda hoje é incapaz de olhar para certas figuras, como Sócrates, ou qualquer outro amigo a contas com a justiça, e admitir que cometeu crimes. Neves cometeu vários erros, é certo, e pode não recuperar as condições políticas para permanecer no cargo.
Mas, pior do que isso, transformou-se no alvo de conveniências diversas. E isso vai de quem quer manter o inexistente padrão ético do Governo aos que se defendem de problemas próprios, atacando o que Neves simbolizou quando era o rei de um mundo inacessível para eles. Esta crise também tem esses rostos, não apenas o do ex-diretor da PJ.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt