A nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna é uma grande cartada de Luís Montenegro. O ex-diretor-nacional da PJ tem, à partida, a experiência, o saber e a liderança indispensáveis ao exercício de um cargo onde este governo já falhou duas vezes. A nomeação segue um modelo habitual noutras paragens, como em Espanha, onde é frequente os melhores quadros da polícia desempenharem cargos políticos no ministério do Interior.
Com Luís Neves, Montenegro recebe um acréscimo de energia, prestígio e credibilidade. Mas esta não é uma nomeação isenta de riscos. Importa, desde logo, assegurar que a PJ mantém uma linha de independência blindada face ao poder político.
Também que a ação das polícias agora na tutela de Neves é orientada por critérios de Estado, de políticas públicas orientadas pela lei, e não pela frágil visão do próprio primeiro-ministro em matérias de segurança.
Por outro lado, o primeiro teste de Neves será a reforma da proteção civil mas, no plano político estará na compatibilização do pensamento do novo MAI em matéria de imigração e criminalidade com a de Montenegro, até aqui muito próxima do Chega
Vamos ver como resiste Luís Neves ao fogo da oposição num primeiro embate parlamentar. O ex-diretor nacional da PJ goza de grande prestígio junto de vários membros dos partidos de oposição, mas o ministro Luís Neves vai ter de voltar a escalar a montanha. Para já, o ganho político é todo de Montenegro.
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