Vêm aí dias difíceis e a dura caminhada já começou. Nas idas ao supermercado, nas bombas de gasolina, nas pastelarias e restaurantes, no pagamento da prestação da casa. Está tudo mais caro e vai continuar a subir. É nestas alturas de aperto que o cidadão mais precisa de quem manda, ‘que faça alguma coisa’, como se costuma dizer. Daí a expectativa criada em torno da comunicação ao País de Luís Montenegro, em horário nobre, para toda a gente ouvir, na esperança que surgisse uma ideia nova, uma medida qualquer. Nada. Limitou-se a repetir o que tinha anunciado na discussão da moção de censura, o bónus nas pensões e as mexidas nos escalões de IRS. “Nós sentimos o vosso sofrimento”, disse Montenegro, como se a nossa vida tivesse ganho um novo sentido ao escutar aquele desabafo paternalista.
Não é fácil, há que o reconhecer, encontrar a chave para resolver o problema do aumento galopante do custo de vida, sobretudo quando depende de fatores que não controlamos. Nem nós, nem o espaço que habitamos com mais 26 países, a União Europeia, que enfrentam dificuldades semelhantes. Com o preço do petróleo acima dos 100 dólares o barril, com o gás em alta e o frio a aproximar-se, com tudo o que isso implica ao nível do consumo energético, é necessário algo mais que andar a apagar fogos. Mas é aqui que os líderes se distinguem. Uns sentem o nosso sofrimento, outros encontram soluções para o aliviar.
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