Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Perigo no ano da serpente

02 de fevereiro de 2025 às 00:31
Partilhar

O Mundo mudou mesmo em janeiro e não foi apenas pela força do calendário e da chegada de 2025 ou do novo ano chinês da serpente. A tomada de posse de Donald Trump é o choque tectónico que está a marcar o Mundo e com impacto brutal, muito superior ao de um elefante numa loja de porcelanas. Questões que há um ano seriam absurdas como a anexação americana da Gronelândia, uma região autónoma enorme, com imensos recursos e pouco povoada, seriam do foro da ficção mais distópica, mas agora são um cenário bem possível. A ilha pertence à Dinamarca, país europeu e um dos que oferecem melhores níveis de vida aos seus cidadãos. Por sua vez, a cobiça americana do Canal do Panamá já não é tão surpreendente, porque a América Latina sempre foi um território que os americanos trataram como um quintal das traseiras.

Os EUA cresceram das 13 colónias originais à custa de territórios dos índios nativos e de conquistas a Espanha e ao México, ou da compra (Luisiana à França e Alasca à Rússia). É possível que a pressão de Trump, com envolvimento da CIA e alguns milhões de dólares, leve à compra de cidadãos da Gronelândia (são menos de 60 mil) para votarem na independência e depois o passo para a anexação americana será fácil, como aconteceu com a República do Texas. Mas se isso acontecer, a China fica com carta-branca para fazer o que quiser em Taiwan. O Mundo ficou ainda mais perigoso neste ano da serpente.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar