Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Prémio absurdo de 55 milhões

23 de agosto de 2026 às 00:31
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Nestes dias de verão o prémio absurdo de 55 milhões de euros que o Estado português pagou à empresa de Amancio Ortega, o fundador da Zara, não está a ter a atenção que deveria merecer.  Na prática cada português paga um prémio de 5 euros ao bilionário espanhol por causa de um capricho do governo português. E a promessa de redução do preço de energia não passa de palavra vã. 380 milhões, com o prémio incluído de 17% sobre a cotação bolsista,  é um investimento muito caro, por uma participação que é pouco mais de metade das ações do principal dono da REN, o Estado chinês. Se o lote de ações do empresário espanhol permitisse ao Estado português tornar-se de novo o maior acionista, o prémio até faria sentido. Assim uma participação importante, mas que não dá assim tanto poder na empresa, a ser vendido até deveria ter desconto em vez de prémio. Essa é a prática habitual neste tipo de negócios. Provavelmente Amancio Ortega não queria vender e o prémio foi o incentivo, mas a pergunta é para quê?. A REN é um monopólio regulado. É dona da linha, mas é o Estado português que define, através do regulador elétrico, os limites de ação da empresa. Não tenho nada contra o cenário do Estado ser o maior acionista da REN, aliás nem a deveria ter privatizado, mas a recompra não poder ser feita a qualquer preço. O dinheiro dos contribuintes deveria ser tratado com mais respeito.  

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