Ouvir e ver o ministro Leitão Amaro a justificar o processo de Montenegro a uma página de Internet, conhecida por ‘Volksvargas’, é uma antologia de humor. Ouçam e vejam, porque é melhor do que qualquer um dos melhores momentos da famosa série de humor político ‘Yes Minister’. Preferimos levar a coisa pelo humor. Pensar naquelas palavras a sério é quase impossível. Colocam o Governo numa retórica estado-novista de tal ordem, numa defesa do respeitinho devido às mais altas instâncias, como se dizia e defendia o grande jurista, mas ideólogo de Salazar, José Alberto Vieira, que é difícil levar a sério. Alegar que umas bocas humorísticas, no exercício pleno da liberdade de expressão e de um saudável sarcasmo sobre o poder, atingem o bom-nome de Portugal, do primeiro-ministro e do Governo nunca poderia ser levado a sério. Feneceria sempre numa imensa gargalhada. Prefiro acreditar que quem diz e faz uma coisa daquelas é só muito ridículo. É como os Anjos contra Joana Marques. E isso é coisa que se cura com uma boa dose de humor e capacidade de rir de si próprio, que se recomenda ao senhor primeiro-ministro e acólitos. Prefiro isso a acreditar que o fazem por apanágio ideológico. Dou-lhes esse benefício da dúvida, da tolice, em vez de acreditar que, por absurdo, seriam capazes de mandar prender o Vilhena, ou o grandioso Bordallo pelas caricaturas e escritos de zoopolítica sobre a sua Grande Porca, a dita política, os seus Governos e ministros.
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