A prescrição dos primeiros crimes de corrupção no caso ‘Marquês’ estava anunciada. Essa é a causa direta dos atrasos da investigação, também da farsa que foi a instrução e do tipo de litigância dilatória que Sócrates faz desde o primeiro minuto. Sócrates luta apenas para não ser condenado por corrupção porque também sabe, há muito, que nunca mais voltará a entrar na prisão. Mesmo que venha a ser condenado em primeira instância, tem preparados a retórica, os meios e a estratégia para os recursos que irá apresentar. Com este quadro, a par do inexorável decurso do tempo para a justiça e para Sócrates, este processo só transitará em julgado daqui por quase uma década. O que equivale a dizer que, com o dinheiro de Sócrates, a justiça resplandeceu para o próprio. Também para todos os que reduzem o debate a fazer sobre os porquês desta tragédia ao Ministério Público. Como se, do outro lado, estivesse uma multidão de virgens apedrejada por um exército maléfico de procuradores. O velho maniqueísmo a produzir a habitual impunidade política. Como sempre.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt