Numa das muitas publicações que debita diariamente nas redes sociais, Donald Trump anunciou, ontem, que os EUA iriam atacar, esta madrugada, o Irão “COM MUITA FORÇA” (assim mesmo, com maiúsculas), acrescentado que “num futuro não muito distante” as suas tropas tomariam “a ilha de Kharg e outros pontos da infraestrutura petrolífera, assumindo o controlo total dos seus mercados de petróleo e gás”. Os ataques seriam uma espécie de ‘favas contadas’ porque, como Trump já anunciou várias vezes, do outro lado está um país “cuja Marinha, Força Aérea, radares, defesa antiaérea e todas as outras formas de Defesa, juntamente com a maior parte da sua capacidade ofensiva, foram DESTRUÍDAS!” (novamente com maiúsculas). Duas horas depois do boçal anúncio, Trump mudava abruptamente de ideias e, na Fox TV, assumia o cancelamento da ofensiva porque perspetivava para breve a assinatura de um acordo com Teerão, que a Guarda Revolucionária não confirmou. Já nos habituamos à bipolaridade trumpista traduzida numa espécie de política de iô-iô com tendência a agravar-se. O Irão supostamente indefeso, que abateu há dias um ‘heli’ Apache, sofisticada – e cara – máquina de guerra dos EUA, tem demonstrado ser profundo conhecedor das fragilidades de Trump e usa-as para manter o presidente dos EUA encurralado num labirinto de onde o republicano não consegue sair enquanto, paradoxalmente, fortalece o regime em Teerão.
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