Nunca um fogo em Portugal matou tanta gente. O pior que o País pode fazer é culpar uma coincidência nefasta de fatores, desde a trovoada seca às elevadas temperaturas e ausência de humidade, para explicar a tragédia, sem apurar com exatidão o que aconteceu e tirar consequências desses resultados. É preciso investigar com rigor o que se passou para aprendermos com os erros e evitar que este inferno se repita.
O trabalho de combate ao fogo por parte de bombeiros, GNR e outras forças tem sido heroico, mas o que falhou foi a prevenção. Ao contrário do que no calor dos acontecimentos disse o Presidente da República, não se fez o máximo do que poderia ser feito.
A maior parte das vítimas morreu numa estrada nacional. Uma via que liga vilas deste País. Se tudo tivesse funcionado, aquela estrada 236 teria sido encerrada antes da tragédia.
Também é inadmissível que haja uma total rutura nas ligações telefónicas.
E há o crónico problema do ordenamento florestal e da falta de limpeza da floresta. Se a mata estivesse limpa, com menos material combustível, e se houvesse corredores de proteção entre a estrada e a vegetação, a velocidade e a intensidade das chamas seriam certamente menores.
É fundamental que a investigação séria e exaustiva a esta tragédia seja célere e haja consequências ainda nesta época estival e não se aguarde como anteriormente pelas conclusões já em tempo de outono.n
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