As oposições fizeram fogo cerrado sobre as medidas que o Governo apresentou ontem no parlamento, centradas no apoio ao gás de botija e no gasóleo profissional, considerando-as insuficientes. Com quase três semanas de guerra e a enorme incerteza sobre a sua duração, porém, é compreensível que a prudência seja dominante. Mesmo correndo riscos de ver subir a impopularidade, nenhum Governo responsável faria coisa muito diferente do que o da AD. Prudência é a palavra-chave, nesta fase muito sensível que o Mundo atravessa, em que se multiplicam e intensificam os sinais de que poderemos estar a caminhar para uma recessão global. Na verdade, como acentuou a revista ‘The Economist’, Trump e Netanyahu não conseguiram ainda outra coisa senão um resultado catastrófico para a economia mundial. Quando se multiplicam os sinais, a partir das grandes instituições financeiras e monetárias, como o BCE ou o FMI, de que devemos preparar-nos para “o nunca visto”, o melhor é não gastar os cartuchos todos. Com exceção da guerra, o debate mostrou ainda o impasse persistente - e inaceitável - que se verifica em frentes como as nomeações para o Tribunal Constitucional e outros órgãos do Estado. No essencial, os partidos territorializaram o TC para uma guerra que cheira já só a politiquice. E isso é um desastre para todos.
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