Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Teatro do absurdo

28 de maio de 2026 às 00:31
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100 anos após o golpe que acabou com a primeira República e estabeleceu uma longa ditadura de 48 anos temos a certeza que o homem mais poderoso da III República não responderá à justiça por todos os crimes que é suspeito. A lentidão nos processos de crimes de colarinho branco dos muito ricos e muito poderosos é a principal culpada desta impunidade. Além disso estas personagens têm meios para atrasar  ainda mais e complicar a montanha jurídica que acaba por parir ratos. Ricardo Salgado tem a carta que o livra da cadeia por causa da doença, mas mais de uma década de processos em banho-maria é simplesmente inadmissível.  

Há 20 anos, a aliança entre Salgado e Sócrates, nesses tempos de desvario em que um político ambicioso e ávido de riquezas tinha uma concertação de interesses com o banqueiro mais poderoso do País, que escolhia ministros e decidia políticas, custou muito ao País. E ambos vão escapar entre as teias que a justiça tece. 

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No meio desta desgraça há espaço para momentos de humor, mesmo que involuntário, como o do procurador Rui Batista que explicou em tribunal que a suspensão da pena de Ricardo Salgado  não significa a extinção da pena, considerando que o sistema de Justiça deverá "garantir todos os mecanismos necessários para que a pessoa se cure e possa depois cumprir a pena". O genial Ionesco deixou muitos discípulos neste teatro do absurdo que é Portugal. 

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