Ao aceitar ser arrastado por Israel para a guerra e ao ameaçar dizimar a civilização persa numa noite, o presidente dos EUA não afundou apenas o seu já reduzidíssimo capital ético e político. Donald Trump ultrapassou uma linha que nem muitos dos seus radicalizados apoiantes ousou admitir. Pela primeira vez desde o regresso à Casa Branca, membros MAGA, a base de apoio de Trump, levantaram a voz – em uníssono com os Democratas – para criticar o presidente e admitir a invocação da 25ª Emenda constitucional que prevê a destituição. A admissão do recurso ao genocídio para acabar com aquele que já foi um dos maiores impérios do Mundo só poderia envergonhar os americanos, da mesma forma que deixou perplexos muitos de nós. E nem o anúncio de frágil cessar-fogo, feito pouco antes da hora-limite da infame ameaça, apaga a errância de Trump na tentativa de sair de um conflito que não está a vencer, por muito que grite vitória. A guerra inútil de Trump não mudou o regime em Teerão, não é certo que abra o estreito de Ormuz, não obliterou o poder militar da Guarda Revolucionária, não travou o enriquecimento do urânio iraniano e aumentou a morte de civis no Líbano. Trump é o grande derrotado desta guerra e, mais cedo ou mais tarde, vai pagar por isso.
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