O presidente dos EUA adiou ontem à noite a decisão sobre o acordo preliminar de paz com o Irão. Quer Donald Trump tivesse decido aceitar, ou recusar, o princípio de entendimento com o regime iraniano, representaria sempre uma derrota relativa para os EUA. Assim, só adiou o fiasco. Até hoje, o malogro de Trump traduziu-se numa série de promessas falhadas: não aniquilou o regime em Teerão, não salvou a oposição da tirania, não eclipsou a capacidade militar do Irão, não resgatou o temido urânio enriquecido e foi incapaz de abrir Ormuz. Ontem, não era conhecida a razão que levou Trump a adiar, de novo, uma saída do atoleiro iraniano. Sabe-se que, se assinado com a cláusula que implicaria igualmente um cessar-fogo no Líbano - exigência firme do Irão -, seria também uma derrota para Israel. Benjamim Netanyahu e a coligação radical que o sustenta aproveitaram este impasse para intensificar os ataques no Líbano, ultrapassando despudoradamente a linha que eles próprios definiram, a sul do rio Litani, para uma zona mais ampla de onde os libaneses foram obrigados a fugir para escapar novamente às bombas de Telavive. Trump até poderá assinar um entendimento com o Irão, se as questões do urânio ou dos fundos financeiros iranianos forem ultrapassadas, mas os interesses expansionistas de Israel no Líbano serão sempre uma espinha cravada no texto de qualquer acordo.
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