O caso de Mónica Silva, a grávida de sete meses que desapareceu na Murtosa, é um dos mais intrigantes dos últimos anos. Saiu para beber café e nunca mais voltou. No acórdão da Relação do Porto conhecido esta semana, os juízes desembargadores deduzem que a prova apresentada não chega sequer para concluir que Mónica foi assassinada. Se nem isso se prova, obviamente que ninguém podia ser condenado por homicídio. Não é a primeira vez que um mistério como este fica por resolver. Talvez o caso mais mediático seja o de Maddie McCann, embora num contexto de características diferentes. Não por falta de empenho dos investigadores ou dos procuradores do Ministério Público. Simplesmente, há processos em que não é possível chegar à verdade. Neste caso, havia desde logo o problema da ausência do corpo. Não que seja impeditivo de conduzir ao autor (ou autores) do seu desaparecimento, mas é um obstáculo importante. Havia, ainda, uma outra dificuldade, talvez até maior: ninguém viu Mónica Silva, na noite do desaparecimento, na companhia de quem quer que fosse desde que saiu de casa. E também não se chegou a perceber qual seria o “móbil do crime”. Embora não se possa provar a sua morte, é quase certo que Mónica Silva já não estará entre nós. E este é o facto mais doloroso, a perda de uma vida humana. Mas este caso é, também, a prova de que, afinal, há crimes perfeitos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt