Paulo João Santos

Jornalista

Uma bola com coração

04 de julho de 2026 às 00:31
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O Mundial está a revolucionar o futebol. Ontem assistimos a um episódio inédito, uma bola com ‘coração’. A Croácia marcou um golo, mas o ‘eletrocardiograma’ detetou uma batida. Quem vê as imagens jamais poderá dizer se o lance é legal ou ilegal. Só os sensores instalados na bola detetaram o movimento. Talvez só tenha raspado em dois cabelos, mas foi o suficiente para o ‘coração’ dar sinal. Se o jogador fosse careca, era golo. Limpinho.

Já tínhamos visto linhas de fora de jogo a dar conta de irregularidades indetetáveis, como aquele lance invalidado por um dedo do pé. Mas o lance da bola com vida mostra um grau de sofisticação impressionante.

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Claro que nem tudo são rosas, como aquelas paragem ridículas a meio de cada parte do jogo. Ou aqueles lances decididos pela cor da camisola ou pelo nome do jogador. Isso nunca vai mudar, nem com VAR, nem com varinhas mágicas. Protegem-se uns em detrimento de outros, consoante o interesse do negócio. Mas há que reconhecer que este Mundial nos trouxe um futebol diferente. Menos humano, mais tecnológico, e não tardará a ser dirigido por Inteligência Artificial. A questão está em saber se o espetáculo beneficia com isso. Tenho dúvidas, desde logo pela fiabilidade da máquina. Quem nos garante que aquela análise está 100% correta? Terá a bola tocado em dois cabelos ou reagiu por perceção? Aquele fora de jogo de meio milímetro era mesmo foras de jogo? Se havia dúvidas, continuam a existir.

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