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Armando Esteves Pereira

Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Impostos e inflação

03 de maio de 2026 às 00:31

Amanhã vamos sofrer um novo aumento brutal no preço dos combustíveis. O litro do gasóleo deverá subir oito cêntimos e meio e a gasolina terá um acréscimo próximo dos seis cêntimos. Seria ainda maior o castigo se o governo não tivesse abdicado de alguns cêntimos no imposto sobre os produtos petrolíferos. Mas o Estado não perde dinheiro com este bónus, apenas deixa de ganhar com o aumento, uma vez que a gasolina e o gasóleo também pagam IVA e quanto mais caro for o preço, mais arrecada. Por isso esta medida temporária de corte no ISP é apenas para compensar o que o Fisco ganha automaticamente a mais com o IVA. 

Cerca de metade do preço de cada litro de gasóleo ainda é o peso dos impostos e tendo em conta o impacto dos custos do diesel na economia, uma vez que este é o combustível dos camiões que levam os produtos para os supermercados, deveria haver um maior esforço do governo em travar a inflação, porque mais tarde ou mais cedo o preço de todos os produtos acabará por refletir o agravamento do custo do transporte. 

Depois da espiral inflacionista provocada pela guerra da Ucrânia e do qual nunca mais recuperámos, porque o preço dos alimentos nunca mais voltou ao que era, sofremos agora outro choque provocado por mais uma decisão bélica de impacto global. Enquanto durar a guerra e o bloqueio do estreito de Ormuz vamos sofrer um agravamento brutal do custo de vida.  Mas o Estado pode aliviar um pouco a conta se abdicar de uma parte dos impostos que também pesam nos preços finais. 

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