Octávio Ribeiro

Educar, policiar e punir

27 de abril de 2016 às 00:30
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Podia ser um português na África do Sul, mas foi um curdo no coração de Lisboa. Os sintomas são os mesmos: uma incapacidade do Estado para impor ordem a hordas de jovens sedentos de violência. A etnia, nestes casos, é tema porque, em Lisboa ou em Pretória, são os jovens negros que menos se integram, por via da pobreza que os empurra para bairros periféricos. Aí, não se come, ama, negoceia ou mata, na língua oficial do Estado.

Nas grandes cidades, em Portugal, há décadas vamos tolerando enormes enclaves de pobreza onde a polícia só entra em grandes operações. Há décadas vamos degradando o contacto das novas gerações desses bairros com a escola, as regras sociais, a língua portuguesa. Há décadas fechamos os olhos a esta condenação dos filhos dos serventes a serem serventes e das filhas das criadas a serem criadas.

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Só há uma terceira via, para estes miúdos, a criminalidade variada, junta com uma atitude recoletora.

No centro de Lisboa, dezenas destes jovens violentos invadiram uma loja e cercaram um pobre imigrante curdo, disposto a defender o que é seu.

E durante quanto tempo não se vê um polícia? É esmagador o tempo que um cidadão está sozinho perante a matilha. É assustadora a falta de auxílio.

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Quando tudo falha num sistema, cabe à polícia não falhar. É preciso sermos exemplares a punir e a educar os envolvidos.

Leia a notícia que deu origem a esta opinião: "Se não me defendesse morria ali"

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