Pereira Gomes afirma "indisponibilidade" para ser chefe das secretas

Embaixador foi nome escolhido pelo primeiro-ministro para suceder a Júlio Pereira no SIRP.

07 de junho de 2017 às 17:03
Pereira Gomes foi indigitado Foto: Direitos Reservados
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O embaixador José Júlio Pereira Gomes renunciou ao cargo de secretário-geral dos Serviços de Informação da República Portuguesa, nome escolhido pelo primeiro-ministro para suceder a Júlio Pereira no SIRP.

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A eurodeputada do PS Ana Gomes, e ex-embaixadora de Portugal na Indonésia, questionou a capacidade do embaixador para assumir as funções. Em causa está o momento da retirada da missão portuguesa numa altura de crescente violência em Dilí.

Numa carta justificativa, Pereira Gomes assegura que recebeu ordens do Governo para sair.

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"Quando a consulta se conclui, a 4 de setembro de 1999, data da publicação dos resultados, recebi elogios dos mais altos responsáveis políticos do país pela forma como a Missão tinha sido realizada. O processo de retirada dos observadores portugueses vem a decorrer num contexto de violência generalizada, iniciada a 4.9.1999, data em que a sede da Missão é atacada e somos obrigados a buscar refúgio na UNAMET", explica o embaixador, agora, responsável diplomático em Estocolmo, Suécia.

Na missiva, Pereira Gomes acrescenta: "Mantive por isso o plano normal de partidas e fiz sair a maioria dos observadores no dia 5.9.1999, incluindo os cinco representantes partidários que integravam a Missão. Depois da UNAMET ter decidido, a 8 de setembro, "uma evacuação geral", por considerar que o nível de risco para as nossas vidas tinha ultrapassado o limite do aceitável, recomendei ao Governo a evacuação dos últimos observadores, que se realiza a 10 de Setembro. Nesse contexto recebi do Governo ordem para sair, que assim cumpria a obrigação que assumira com todos os observadores quando partimos para Timor-Leste. Tudo fazer para nos evacuar em caso de crise de segurança que colocasse em risco as nossas vidas".

A carta de Pereira Gomes põe fim a uma polémica que obrigou o presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Pedro de Bacelar Vasconcelos, a pedir documentação sobre o registo de interesses do diplomata ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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O gabinete do primeiro-ministro, recorde-se , também se remeteu ao silêncio quando o CM questionou esta segunda-feira se António Costa mantinha a confiança na escolha.

Costa elogia Pereira Gomes e sentido de Estado da oposição na escolha do secretário-geral do SIRP

O primeiro-ministro manifestou esta quarta-feira o seu respeito pela forma "digna" como o embaixador Pereira Gomes decidiu renunciar ao cargo de secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) e defendeu o seu comportamento em Timor-Leste.

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Em comunicado, António Costa elogia também "o sentido de Estado" dos partidos da oposição neste caso, destacando o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

"Quero por isso agradecer a aceitação do convite para o exercício das exigentes funções de Secretário-Geral do SIRP [por José Júlio Pereira Gomes] e manifestar o meu respeito pela forma digna como agora me comunicou a sua indisponibilidade para exercer estas funções, decisão que não posso deixar de aceitar", refere o primeiro-ministro.

A seguir, António Costa deixa também elogios aos partidos da oposição ao longo deste processo para a substituição de Júlio Pereira nas funções de secretário-geral do SIRP.

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"Dei prévio conhecimento desta decisão ao líder da oposição [Pedro Passos Coelho], registando o elevado sentido de Estado com que os partidos da oposição agiram na presente circunstância", salienta o primeiro-ministro.

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