Abel Pinheiro diz que só foi “mensageiro”

Cinco anos após o início da investigação, o caso Portucale chegou ontem a tribunal. Os 11 arguidos, entre os quais Abel Pinheiro, administrador do grupo Grão Pará e ex-dirigente do CDS, declaram-se inocentes das acusações, que vão de tráfico de influências a falsificação de documentos.

03 de fevereiro de 2011 às 00:30
ABEL PINHEIRO, PORTUCALE, LISBOA Foto: Mariline Alves
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Para alguns dos advogados dos arguidos, o caso Portucale é também "um caso político", alegaram, tendo o defensor de António Sousa Macedo (ex-director-geral das Florestas) questionado porque não estão em tribunal os três ministros que assinaram o despacho de 16 de Fevereiro de 2005, que levou ao abate de "939 sobreiros" (e não os mais de dois mil como tem sido divulgado, frisaram) na Herdade da Vargem, em Benavente, para a construção de um empreendimento turístico.

Na sua intervenção, Abel Pinheiro (acusado de tráfico de influências e falsificação de documentos) disse estar "estupefacto" com o processo e confirmou: "Tudo o que disse e tudo o que fiz e voltaria a fazer". Questionado pela juíza-presidente sobre se tinha pedido ao ex--ministro do Ambiente Nobre Guedes para assinar o despacho que faria andar o empreendimento, Abel Pinheiro disse que meteu uma "cunha", corrigindo depois, para afirmar que foi apenas "o mensageiro" de um pedido nesse sentido feito por José Manuel Sousa e Horta e Costa (ligados ao BES). "O que fiz não é censurável", disse, negando ter obtido benefício do BES no reescalonamento da dívida do Grão Pará, que, disse, já ter sido acordado em Março de 2004, "ainda Nobre Guedes não era ministro".

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