ADEUS A UM HOMEM BOM
Baltazar Rebelo de Sousa foi ontem a enterrar no Cemitério dos Prazeres, depois de celebrada a missa de corpo presente na Igreja de Santa Isabel.
O primeiro-ministro, Durão Barroso, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Marques Mendes, a ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, o presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, os ex-primeiro-ministros Cavaco Silva e Maria de Lurdes Pintasilgo, a ex-ministra Leonor Beleza e o padre Vítor Melícias foram algumas das personalidades políticas que marcaram presença no último adeus ao pai do ex-líder do PSD e comentador político Marcelo Rebelo de Sousa.
Baltazar Rebelo de Sousa foi ministro e deputado do Estado Novo, mas foi como Governador de Moçambique que ficou conhecido, principalmente, entre as pessoas que com ele conviveram. “É uma perda enorme porque significou, durante o regime do Estado Novo e ,sobretudo no tempo em que foi Governador em Moçambique, a verdadeira abertura que tivemos no fim do chamado período marcelista”, declarou Maria de Lurdes Pintasilgo para quem o ex- ministro do Utramar tinha “uma grandeza de alma extraordinária”.
“Tendo sofrido, embora pessoalmente nunca tenha sido atacado, com a mudança de regime, nunca lhe ouvi uma palavra de amargura ou azedume contra ninguém e para se ser assim é preciso ter uma grandeza de alma extraordinária”, acrescentou a ex-primeira-ministra.
Marques Mendes conheceu o pai de Marcelo Rebelo de Sousa quando “ainda era estudante de liceu”. “ Eu sou de Fafe e Baltazar Rebelo de Sousa sempre teve uma ligação com essa cidade. Era uma pessoa muito humana, um homem com o espírito de serviço notável. Uma pessoa muito culta com quem dava gosto falar. Era, enfim, um bom amigo”, lembrou o ministro.
O primeiro-ministro, Durão Barroso, recordou a figura de Baltazar com “saudade”: “Era uma pessoa muito boa e foi uma pessoa que procurou sempre servir Portugal da maneira que achou melhor, lembro-me sempre do modo extremamente afável como ele fazia as coisas”.
Baltazar Rebelo de Sousa trocou a Medicina pela política e tornou-se numa das figuras mais destacadas do Estado Novo. Foi Governador de Moçambique entre 1968 e 1970 ano em que regressou a Portugal.
Ingressou no Governo e acumulou os Ministérios das Corporações e Assistência Social e da Saúde e Assistência, seguindo uma política de alargamento da rede de cuidados médicos e melhoria das estruturas hospitalares. Um conjunto de medidas que o colocaram na “esquerda” do regime.
Em 1973, Marcelo Caetano nomeou Baltazar Rebelo de Sousa ministro do Ultramar, cargo que ocupou até ao 25 de Abril de 1974. A "Revolução dos Cravos" obrigou-o a exilar-se no Brasil para onde partiu em Junho de 1974, e aí permaneceu durante 17 anos.
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