Assessor do Chega chama “esqueletos de abril” a deputados da Constituinte

Francisco Araújo atirou-se a quem abandonou o hemiciclo enquanto André Ventura falava.

04 de abril de 2026 às 01:30
O momento em que deputados constituintes saem do Parlamento durante discurso de Ventura
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Um assessor do Chega chamou “esqueletos de abril” aos deputados constituintes que estiveram no 50.º aniversário da Constituição, no parlamento, quinta-feira. Quem o fez foi Francisco Araújo, que também é deputado municipal em Guimarães, na rede social ‘X’. Na publicação, partilhou imagens do momento em que membros da Assembleia Constituinte abandonam a sessão solene após terem sido acusados por André Ventura de patrocinarem atentados terroristas. Para Araújo, deixaram as galerias enquanto o líder do seu partido “arrebentava com a narrativa do sistema”. “A constituição de abril não serve o povo portuguez [forma arcaica]”, defendeu ainda.

Em reação, o deputado do PS José Carlos Barbosa deixou uma questão, no antigo Twitter: “A Assembleia da República paga a este assessor do Chega para insultar convidados? Alguém que avise o Chegano e o Presidente da Comissão de Ética: é bem mais grave chamar “esqueletos de abril” aos deputados da Constituinte do que chamar “pateta” a um deputado do Chega”. Fazia, assim, referência a um caso, de setembro do ano passado, que o envolve a si e ao deputado Filipe Melo. Na mesma rede social, Barbosa escreveu então que este era “pateta” por ter dirigido um beijo a Isabel Moreira, do PS, enquanto estava na mesa da AR. O visado não gostou e queixou-se de “insultos vários” à Comissão de Ética, que decidiu há dois meses. Não houve sanções, porque não estão previstas, mas foi emitida uma recomendação para que o socialista cumpra a “necessidade de observar, no desempenho das suas funções, os deveres de urbanidade e lealdade institucional, devendo, nomeadamente, tratar com respeito os(as) demais deputados(as)”

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Em julho de 2025, quando Francisco Araújo já assessorava o grupo parlamentar do Chega, a ‘Sábado’ escreveu que este participava com frequência nos eventos do movimento ultranacionalista Reconquista. Foi também sinalizado num relatório sobre a promoção de ódio elaborado por uma ONG norte-americana.

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