Assunção Cristas defende licença de parentalidade igual para pais e mães

Antiga líder do CDS-PP considera que as mulheres são prejudicadas no cuidado dos filhos.

23 de março de 2026 às 19:49
Assunção Cristas
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A antiga líder do CDS-PP Assunção Cristas defendeu esta segunda-feira o alargamento das licenças de parentalidade, para que sejam "o mais possível iguais para pais e mães", considerando que as mulheres são prejudicadas no cuidado dos filhos.

Assunção Cristas foi uma das oradoras convidadas das jornadas parlamentares do CDS-PP, num painel sobre o tem "Família e natalidade, um desafio do presente e do futuro".

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A antiga ministra reconheceu que se trata de uma "medida altamente polémica" e que isso se deve também a uma questão social, assinalando que as mulheres "continuam a ser penalizadas", pois "os filhos continuam a ser vistos como um fardo e um encargo para as mulheres".

Cristas assinalou o facto de o partido ter chamado mulheres para falar neste painel, sendo o único homem o moderador, o antigo deputado centrista José Lino Ramos.

Assunção Cristas, que liderou o CDS-PP entre 2016 e 2020, sugeriu também outras medidas que podem passar por um alargamento do IRS Jovem para famílias que tenham filhos, descontos no IMT ou "mecanismos para a família se organizar de uma maneira mais alargada", passando por exemplo pelos avós.

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Questionada sobre um pacto regime para as medidas de incentivo à natalidade, a antiga líder do CDS-PP assinalou que cada partido tem uma abordagem diferente e que a mudanças das medidas "é inevitável", a não ser que haja "um entendimento prévio, muito sólido, muito firme".

"Que o tema deve ter estabilidade, que é central, que é importante, é estrutural para a nossa sociedade, é. Quanto às soluções em concreto, eu acho que se não se regredir e se for encontrando, apesar de tudo, um caminho, já não acho que seja mau.  Se ninguém tirar o tema da agenda e, de repente, revogar tudo sem substituir por nada, eu já não acho que seja mau", afirmou.

No mesmo painel, a líder da Juventude Popular -- estrutura que representa os jovens do CDS-PP -- defendeu, entre outras medidas, uma isenção de "IRS até ao terceiro filho para o pai ou para a mãe que tivesse o maior salário", até 35 mil euros ao ano, o alargamento da licença de parentalidade para os sete meses ou a comparticipação a 100% dos medicamentos e tratamentos para a fertilidade.

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Catarina Marinho deu como exemplo o caso da Hungria, considerando que pode não se gostar "de certas coisas que lá se fazem, mas a política para as famílias é muito forte".

"Eu muitas vezes vejo o que ela há feito e tenho um bocadinho de ciúmes, porque nós poderíamos aproveitar muito daquilo para nós", afirmou.

Quanto ao diagnóstico, a antiga ministra da Agricultura, que coordenou um relatório do partido sobre o tema há quase 20 anos, afirmou que "os números da sua globalidade são muito maus".

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"Se naquela altura, em 2007, nós já estávamos num chamado inverno demográfico na Europa, nós hoje estamos, se não pior, igualmente mal", indicou.

No caso de Portugal, referiu a média se tem mantido, apesar de ter descido no período dos governos que Assunção Cristas integrou, liderados por Pedro Passos Coelho.

"Foi numa altura em que o país sofreu muito com a crise e o programa de assistência financeira", com "circunstâncias especialmente más e com muita imigração de jovens", o que teve "um efeito também na natalidade", sustentou.

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Catarina Marinho também deu a sua perspetiva e disse que atualmente os jovens adiam o objetivo de constituir família porque "além da coragem emocional, é preciso coragem financeira".

"Não é por falta de vontade, é mais por falta de condição", sustentou, apontando que os principais desafios se prendem com salários, uma política fiscal "que muitas vezes é punitiva para os jovens", a crise na habitação e instabilidade no trabalho.

A líder da JP considerou também que os problemas e os encerramentos das urgências de obstetrícia "afeta muito" aqueles que querem ser pais e causam "insegurança".

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