BE diz que com o que conhece neste momento não tem condições para viabilizar

Catarina Martins diz que aguarda conhecer o documento e "eventuais evoluções do Governo".

12 de outubro de 2020 às 11:28
Catarina Martins Foto: Lusa
Catarina Martins
Catarina Martins Foto: CMTV

1/3

Partilhar

A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou esta segunda-feira que, com o que se conhece neste momento, o partido não tem condições para viabilizar o Orçamento do Estado para 2021, mas aguarda conhecer o documento e "eventuais evoluções do Governo".

Numa entrevista à Antena 1 no dia em que a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) será entregue no parlamento, Catarina Martins assegurou que o BE "não parou as negociações, não retira as suas propostas de cima da mesa e não fecha nenhuma porta".

Pub

"Com aquilo que se conhece neste momento eu não creio que o Bloco de Esquerda tenha possibilidade de viabilizar o Orçamento do Estado, mas aguardo conhecer o documento, aguardo eventuais evoluções da parte do Governo e a direção do BE tomará essa decisão em devido tempo", afirmou.

A coordenadora do BE referiu ainda que "o Governo fechou o orçamento sem fazer uma reunião final de negociação para tentar ver se existia acordo", o que sendo "uma escolha legítima", de acordo com a bloquista, é diferente do que aconteceu em processos negociais anteriores.

"O Governo, com certeza, não espera que haja viabilização do BE de um orçamento que não foi negociado", atirou.

Pub

De acordo com a líder do BE, esta posição que o partido tem neste momento em relação ao OE2021 justifica-se "com base nas questões de travar a vaga de despedimentos, na capacidade do SNS responder às pessoas e nas questões da seriedade do Estado e do Novo Banco", temas aos quais não vê resposta na proposta que conhece.

"É todo um leque de matérias em que, em muitos casos, o Governo pura e simplesmente recusou propostas do BE e nem sequer chegou a apresentar contrapropostas", condenou.

Na perspetiva de Catarina Martins, os bloquistas, quando dão o seu voto favorável ou quando viabilizam um orçamento, têm a responsabilidade de estar "a dizer ao país que, embora não seja o programa do BE" porque foi resultado de uma negociação, que acreditam que "aquelas soluções são um caminho, que respondem ao que é preciso".

Pub

"Neste momento nós não acreditamos nisso face ao documento que conhecemos", explicou.

Confrontada com a possibilidade de uma crise política no caso do OE2021 não passar, a líder do BE foi perentória: "a crise política só existe se não existir um orçamento que responda à vida das pessoas".

"Nós temos uma crise extraordinária a quem temos de responder e que exige coragem e temos também um contexto de difícil entendimento à esquerda, nomeadamente porque o PS não cumpriu o que foi acordado e votado tanto em orçamentos para 2019 como para 2020, nomeadamente em áreas fundamentais de resposta à pandemia como a saúde e a proteção social", criticou.

Pub

Assim, Catarina Martins assume a existência de uma dificuldade em relação ao OE2021 uma vez que é um "orçamento exige muito mais" e, também por isso, "o BE não está disponível para aceitar anúncios de medidas que não estejam calendarizadas e cuja repercussão na vida das pessoas não esteja mensurada, não seja real".

Para deixar clara a ideia dos bloquistas, a coordenadora do partido usou uma imagem.

"O que o Governo nos está a propor é que a gente responda a um verdadeiro tsunami de onda de despedimentos, problemas na saúde com botes de borracha e o BE não pode dar o voto a isto e não pode dizer às pessoas deste país que esta solução vai resultar, que ainda que não seja a nossa, nós aceitamos que é uma negociação possível e que é um caminho possível", sintetizou.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar