BE insiste que é um "erro" vender o Novo Banco a privados

Catarina Martins garante que Governo não terá apoio do partido neste processo.

27 de março de 2017 às 19:21
Bloco de Esquerda, BE, Orçamento do Estado, Dia da Defesa Nacional, Forças Armadas, Catarina Martins, Azeredo Lopes, política, defesa Foto: Arménio Belo/Lusa
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Catarina Martins Foto: Paulo Novais/Lusa
A coordenadora do BE, Catarina Martins Foto: Arquivo
catarina martins, bloco de esquerda, coordenadora Foto: Inácio Rosa/Lusa
catarina martins, bloc de esquerda Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

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A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, insistiu esta segunda-feira que é um "erro" vender o Novo Banco a privados, salientando que o Governo não terá o apoio do partido neste processo.

"A posição do BE é clara. Nós somos contra uma entrega a privados do Novo Banco numa situação em que os contribuintes ficam a pagar as perdas e o Estado Português não tem uma palavra a dizer sobre a gestão dos ativos", afirmou a bloquista aos jornalistas, à margem de uma reunião com responsáveis da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).

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Catarina Martins sublinhou que o Governo sabe desta posição "desde a primeira hora", não precisando de o avisar pela Comunicação Social porque têm conversado muito.

"Nós já dissemos isto ao Governo tantas vezes. As pessoas lembram-se que quando o Governo decidiu entregar o Banif ao Santander não contou com o apoio do BE, portanto, não há nenhuma novidade nesta nossa posição", frisou.

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, admitiu hoje a possibilidade de o Estado português manter 25% do capital do Novo Banco, mas apontou que então deverá assumir outros compromissos, escusando-se a especificar quais.

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Numa conferência de imprensa em Bruxelas, Vestager, questionada sobre notícias que apontam para a hipótese de a Comissão permitir que um quarto do capital do Novo Banco se mantenha no setor público, mas sob a condição de o Estado ficar fora da gestão do banco, disse que o executivo comunitário admite estudar alterações ao compromisso inicial (de venda de 100% do Novo Banco), mas salientou que a solução final deve ser "equilibrada".

"Claro que discutimos com as autoridades portuguesas, como discutimos com outras, se estiverem numa situação em que querem alterar compromissos. A nossa missão é assegurar que as alterações são equilibradas. Por isso, se alguém quer fazer algo, talvez favorecendo uma parte, então é preciso equilibrar isso assumindo compromissos noutra área. Mas o processo ainda está em curso, e é da responsabilidade das autoridades portuguesas garantir a venda", afirmou.

A líder do BE sustentou que o que a Comissão Europeia diz é o "pior de dois mundos" porque o Estado Português não fica com o banco todo, mas fica com uma parte e, portanto, com a responsabilidade sobre imparidades futuras.

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"Mas, não pode ter uma palavra na sua gestão e, portanto, não tem uma palavra sequer na gestão dos ativos que vão determinar quanto é que o Estado Português vai pagar ou não destas imparidades no futuro, parece-nos que não tem sentido absolutamente nenhum", frisou.

Na opinião da bloquista, o Novo Banco deve permanecer público porque tem já muito dinheiro público e porque é um "desastre" andar a limpar com dinheiro público bancos privados para, depois, os entregar outra vez a privados.

"O Estado Português fica sempre com o prejuízo, os contribuintes ficam sempre com o prejuízo para os privados fazerem depois outra vez o que lhes apetece, portanto, a posição de principio do BE é que o Novo Banco deve ser de gestão pública, o Estado deve assumir essa gestão porque já que perdemos o dinheiro que tenhamos o controlo do banco", vincou.

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Catarina Martins assegurou que o partido "fará tudo ao seu alcance" para defender a melhor solução para o interesse público, fazendo os debates que devem ser feitos com o Governo e no Parlamento.

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