Câmara chamuscada

O estado ‘dramático’ a que chegaram as contas da Câmara Municipal da Chamusca levaram o presidente da autarquia, Sérgio Carrinho, eleito pela CDU, a apresentar-se voluntariamente na Polícia Judiciária (PJ) de Leiria para prestar “esclarecimentos”.

08 de setembro de 2005 às 00:00
Câmara chamuscada Foto: Isabel Jordão
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As estimativas apontam para dívidas “superiores a 20 milhões de euros”. Mas o que mais preocupa o executivo em exercício, já que o presidente está muito debilitado psicologicamente e meteu baixa, é garantir “um balão de oxigénio” financeiro para cumprir os compromissos imediatos, como sejam os ordenados dos funcionários e alguns pagamentos a fornecedores.

Eleito pelas listas da CDU, como independente, Sérgio Carrinho dirige o município há 26 anos. E já anunciou a sua recandidatura. O seu comportamento andava alterado nos últimos dias, mas ninguém, nem os próprios familiares, suspeitavam das suas intenções. Na terça-feira de manhã, o edil deslocou--se ao posto da GNR e pediu que o levassem à PJ de Leiria, para, alegadamente, confessar algumas irregularidades.

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Segundo o CM apurou, esteve “a conversar” com os inspectores algumas horas, mas nas suas declarações configurarão mais actos de irregularidades administrativas do que situações do foro criminal. “Ele terá assumido descobertos nos bancos, feito uma má gestão dos fundos comunitários e alimentado uma gigantesca teia de acção social”, adiantou um elemento ligado ao processo. “Apanhado de surpresa”, o executivo preparava ontem uma tomada de posição conjunta. Sérgio Carrinho recusou prestar declarações, alegando estar “muito doente”. Fernando Pratas, do PS, compreende o “drama humano”, mas reclama uma intervenção urgente para ‘salvar’ a autarquia.

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