Candidatos ao Conselho Superior de Defesa realçam "extrema importância" do órgão e da NATO no contexto atual
Eleição está marcada para o dia 16 de abril.
Os candidatos ao Conselho Superior de Defesa Nacional realçaram esta quinta-feira a "extrema importância" deste órgão no atual contexto geopolítico, sublinhando a relevância de Portugal pertencer à NATO e continuar a ser aliado dos EUA.
Na audição na Comissão de Defesa que antecede a eleição marcada para dia 16 de abril - e que exigirá a aprovação por uma maioria de dois terços dos deputados -- Bruno Ventura (PSD), que será estreante nestas funções caso seja eleito, realçou que este órgão tem "uma extrema importância" num momento em que se intensificam conflitos a nível mundial.
"São tempos de exigência que tornam este órgão de maior importância no aconselhamento do Presidente da República", sublinhou.
O deputado do PSD notou ainda que Portugal vive um período exigente dada a sua posição simultaneamente europeia e atlântica: "A nossa maior fronteira é marítima, partilhada com os Estados Unidos da América, mas somos simultaneamente membros da União Europeia".
Pelo PS, o deputado Francisco César, que já desempenha estas funções e é recandidato ao cargo, salientou que o CSDN é um fórum onde participam os vários órgãos de soberania (Presidente da República, que o preside, Governo e parlamento), além dos chefes dos três ramos militares e do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) e de representantes das Regiões Autónomas.
Francisco César notou que este órgão, "que não reunia muitas vezes", em virtude do contexto atual "tem vindo a acelerar essas reuniões" e a intensificar o debate sobre várias matérias, algo que considerou "bastante positivo".
O deputado, eleito pelo círculo eleitoral dos Açores, sublinhou ainda a importância estratégica para Portugal da Base das Lajes, situada naquele arquipélago, local onde são acompanhadas embarcações russas e de outras nacionalidades e estão localizados importantes cabos submarinos, essenciais para comunicações globais.
Interrogados pelo Chega, na voz de Nuno Simões de Melo, sobre o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), numa altura em que o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, ameaça sair desta aliança, ambos os deputados sublinharam a importância de Portugal continuar empenhado nesta organização.
Bruno Ventura afirmou que a NATO é a aliança "mais bem sucedida e mais estratégica para o futuro da segurança do Estado português" e notou comportamentos distintos dos dois blocos que pertencem à Aliança Atlântica.
Por um lado, a União Europeia tem como "primeira prioridade, em caso de tensão mundial um apelo à diplomacia para a resolução de conflitos". Por outro, "o aliado mais determinante da União Europeia na Aliança", os EUA, muitas vezes recorre à força "para forçar a diplomacia".
O social-democrata acrescentou que "a defesa do interesse do Estado português" será o seu "princípio orientador" nas análises que fizer neste Conselho.
Sobre o "velho aliado" EUA, o socialista Francisco César concordou na importância de manter a cooperação com os norte-americanos, mas salientou que Portugal deve ter "uma perspetiva lúcida", tendo a coragem para dizer "ao amigo" quando "está bem, ou quando achamos que está mal".
Numa referência à utilização da Base das Lajes no conflito com o Irão, Francisco César realçou: "É possível dizer a um aliado que pode utilizar a nossa base, mas nós não concordamos com determinadas ações que foram tomadas, mas a utilização da nossa base deve ser feita a partir de determinadas condições. Responsabilizando o velho aliado e responsabilizando naturalmente o Estado português pela fiscalização do que acontece".
Sobre o futuro da NATO, Francisco César disse que "essa é a questão para um milhão de dólares", apontando para um contexto internacional incerto e instável. Ao mesmo tempo, a União Europeia "precisa de tempo para fazer o que não fez", ou seja, investir em Defesa.
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