Carlos César aponta concordância da Comissão Nacional do PS com abstenção do Orçamento do Estado para 2027
Presidente socialista defende o "sentido de responsabilidade" no atual contexto de crise internacional.
A Comissão Nacional do PS manifestou a sua concordância com a viabilização, pela abstenção, do Orçamento do Estado para 2027, adiantou este sábado o presidente socialista, Carlos César, que defendeu o "sentido de responsabilidade" no atual contexto de crise internacional.
"Eu acho que a manifestação de vontade ocorrida nesta Comissão Nacional foi extremamente significativa. Entre mais de quatro dezenas de oradores, e em cerca de 200 pessoas presentes, não houve uma única que não tivesse expressado a sua concordância com aquilo a que o PS se propõe [abstenção], que no essencial é uma clareza em matéria de abordagem da questão orçamental", respondeu Carlos César aos jornalistas, no final da reunião deste sábado deste órgão do PS, em Lisboa.
O atual contexto internacional e europeu, na perspetiva do presidente do partido, "exige, da parte dos governos e das autoridades, um maior sentido de responsabilidade".
"Esse sentido de responsabilidade, no caso português, é o de não enfrentar esses riscos, que são riscos muito próximos, forçando situações de instabilidade, de interrupção de Governo ou até de Governo sem Orçamento", justificou.
Esta decisão, sublinhou, "não significa que se concorde com o Orçamento", mas sim "com a necessidade de não correr riscos que seriam penosos para todo o país e para a administração portuguesa".
O presidente do PS recusou a ideia de que esta abstenção possa ser interpretada como uma espécie de carta-branca ao Governo para próximos Orçamentos até ao final da legislatura.
"Visto que não concorda com este Orçamento, [o PS] referencia muito a sua posição da abstenção na necessidade de não correr riscos no país face às ameaças que no plano externo estão aqui bem próximas. Não sabemos se daqui a um ano essas condições se mantêm ou não, e se será necessário ou não ter uma atitude mais rígida em relação à abordagem do orçamento", enfatizou.
Carlos César apontou "um espírito de muita união e de muito entusiasmo" nesta fase do partido, manifestado numa "mobilização que corresponde aos melhores tempos do Partido Socialista".
No atual contexto de "elevados riscos" internacionais, insistiu Carlos César, "um partido com sentido de responsabilidade não pode deixar ao acaso decisões que são de grande responsabilidade e sujeitar o país a uma interrupção do Governo ou uma gestão do Governo sem Orçamento ou um período de instabilidade política".
"Os contactos que temos tido com as pessoas, com as empresas, com os empresários, com académicos, com pessoas qualificadas que nos têm ajudado nesta fase a construir o nosso programa de Governo para as eleições futuras, indicam-nos que se, por um lado, nós devemos manter este nosso sentido de responsabilidade, viabilizando o Orçamento, por outro lado não devemos prescindir da nossa capacidade proponente para que alguns assuntos sejam resolvidos", apontou.
O presidente do PS segue a mesma linha de estratégia de José Luís Carneiro ao colocar como prioridade a questão da habitação, opondo-se às alterações à lei do arrendamento urbano, para as quais o PSD tem um acordo escrito com o Chega.
"Nós sabemos que todos estes problemas têm, evidentemente, um acumulado ao longo do tempo, mas nós não podemos fazer política como se estivéssemos a conduzir uma viatura olhando para o retrovisor, porque se assim é, que é como faz o Governo, sempre a falar do que se passou para trás, ou paramos ou batemos", criticou.
No discurso de abertura desta Comissão Nacional, o líder do PS, José Luís Carneiro, voltou a propor a viabilização, pela via da abstenção, do OE2027, apesar de admitir que as "convicções mais profundas" levariam a um voto contra num "mau Orçamento do Estado". O PS, referiu o dirigente, faz oposição ao Governo e não ao país.
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