Carneiro diz que Governo "está a jogar muito mal" na economia e a desperdiçar "oportunidade única"
Em dia de estreia da seleção nacional no Mundial de Futebol, o secretário-geral socialista fez uma alusão à "mentalidade de Cristiano Ronaldo" pedida no passado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O secretário-geral do PS afirmou esta quarta-feira que o Governo "está a jogar muito mal" na economia e lamentou que esteja a desperdiçar uma "oportunidade única" para modernizar a indústria portuguesa com os fundos europeus para a defesa.
Em declarações aos jornalistas, à entrada de uma reunião na AED Cluster Portugal - Associação Aeronáutica, Espaço e Defesa, em Lisboa, José Luís Carneiro salientou que Portugal "perdeu posição em 57% dos seus mercados externos", no que considera uma demonstração de que a "economia nacional está a perder competitividade na comparação com outras".
Em dia de estreia da seleção nacional no Mundial de Futebol, o secretário-geral socialista fez uma alusão à "mentalidade de Cristiano Ronaldo" pedida no passado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Se Ronaldo jogar assim na seleção nacional, devo dizer que começaremos muito mal o nosso Mundial, porque, de facto, o Governo está a jogar mesmo muito mal no domínio da economia", afirmou, depois argumentar que Portugal não está também a preparar-se para os choques associados à transição digital, à inteligência artificial e à energia.
Antes, Carneiro argumentou que Portugal está a receber seis mil milhões de fundos europeus para a defesa no âmbito do programa SAFE [Instrumento de Ação para a Segurança da Europa] que "deveriam contribuir para a industrialização, modernização e transformação da estrutura industrial do país".
No entanto, acrescentou, o país está optar por "comprar ao estrangeiro, o que significa que o dinheiro chega a Portugal e volta a sair de Portugal para os fornecedores".
"Estamos a perder uma oportunidade única para, no prazo de 10, 12, 14 anos, transformarmos a nossa infraestrutura industrial, que seria indispensável para garantir não apenas a fixação dos quadros mais qualificados do país, dos jovens mais qualificados, mas particularmente para garantir um contributo para o crescimento da nossa economia", lamentou.
Carneiro comparou os seis mil milhões de euros do SAFE a cerca de 25% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), considerando tratar-se "talvez o maior volume de investimento em defesa que se faz nas últimas décadas, talvez o maior de sempre".
Sobre a compra de novos caças, numa corrida disputada entre norte-americanos e europeus, o líder socialista defendeu que Portugal deve deixar de discutir apenas "do lado da oferta" e sobre o que os outros países têm para vender e passar a perguntar como pode integrar a indústria nacional nas cadeiras de produção.
"Mais do que estamos a discutir, se é a aeronave A, se é o meio marítimo B, se é o fornecimento de determinadas componentes da nossa indústria nacional, aquilo que nós queremos dizer é que devemos aproveitar esta oportunidade para modernizar a nossa infraestrutura económica", afirmou
Questionado se as iniciativas que tem promovido pelo país representam uma espécie de "Governo sombra", o líder socialista respondeu que o PS pretende mostrar que tem "uma visão económica e social diferente" da do executivo PSD/CDS-PP e propõe um "modelo de crescimento económico que incorpora inovação e desenvolvimento, tecnologia, planeamento, formação e qualificação dos recursos humanos".
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